A Vida é Analógica

A Vida é Analógica
A Vida é Analógica

Eu nasci e cresci no interior de Minas Gerais, numa cidadezinha onde a vida tinha outro tempo. As conversas aconteciam na praça, o pão era comprado na padaria com nome de gente, e a gente conhecia o cheiro da chuva antes dela cair. Hoje moro em Brasília, no meio dos prédios e do corre-corre, trabalhando com Tecnologia da Informação. Vivo cercado de algoritmos, sistemas, redes, tudo muito rápido, muito digital.

Mas mesmo com toda essa modernidade, continuo acreditando que a vida, de verdade, é analógica. Porque a vida não acontece no "enviar" e "receber". Ela acontece no intervalo entre uma coisa e outra. No café que se toma com calma, na prosa fora de hora, no tempo que se gasta com quem se gosta.

No interior, a gente aprende que uma boa conversa vale mais que mil mensagens. Que o tempo de um abraço não se mede em segundos. Que a vida precisa de pausa, de olhar nos olhos, de escutar com o coração - e isso nenhum aplicativo entrega.

Trabalhar com tecnologia é bom, é necessário, mas não substitui o que é humano. E o que é humano não vem em pacotes de dados. Vem no gesto, no tom da voz, na espera, no cuidado.

Por isso, mesmo aqui na capital, no meio dos computadores e códigos, eu sigo firme com um pé lá na roça e outro na nuvem, tentando lembrar, todo dia, que a vida é feita no compasso da alma, e não do relógio.

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