Retrospectiva de Leitura 2025

 



Normalmente, o dia 31 de dezembro é tempo de fechar balanços: olhar para trás, compreender o caminho percorrido e, a partir dele, projetar os próximos passos. Em 2024, além das leituras, mergulhei profundamente nos podcasts: foram 5.933 episódios, somando 2.194 horas de escuta atenta. Nos livros, li 48 obras, totalizando 8.594 páginas, uma média de 23 páginas por dia, além de constantes consultas e pesquisas para trabalhos diversos.

Em 2025, o ritmo não diminuiu, ao contrário, ganhou mais densidade. Ouvi 6.396 episódios de podcast, alcançando 2.234 horas, sinal claro de uma escuta ainda mais presente no cotidiano. Nos livros, foram 43 obras concluídas, somando 9.154 páginas, o que representa uma média de 25 páginas por dia. Menos livros que no ano anterior, mas mais páginas, mais profundidade e leituras que exigiram maior fôlego intelectual e reflexivo.

Janeiro começou com disciplina e amplitude. 365 Dias de Caminhada: Reflexões Diárias (Sebastião Marcondes), 378 pág, acompanhou o cotidiano com reflexões constantes, enquanto Nexus (Yuval Noah Harari), 504 pág, ampliou o olhar sobre conexões humanas, tecnologia e poder. Toca o Barco (Vários), 176 pág, trouxe memórias, bastidores e humanidade na figura inesquecível de Ricardo Boechat.

Fevereiro foi marcado pela erudição e pelo mistério. O Nome da Rosa (Umberto Eco), 592 pág, exigiu atenção, paciência e repertório, recompensando com uma narrativa densa sobre fé, poder, livros e silêncio.

Março aprofundou o simbolismo histórico com Esquin de Floyrac: O Fim do Templo (Z. Rodrix), 656 pág, encerrando ciclos templários com narrativa épica e reflexiva.

Abril foi um mês intenso e plural. Leituras breves, porém provocadoras, como Comandar-se (Pedro Payne), 15 pág, e Do Caos à Clareza (Pedro Henrique), 27 pág, dialogaram com obras históricas e religiosas como A Invenção da Liturgia Católica (Heron Robledo), 68 pág, e Primeiro Século:  o mundo depois de Cristo (Thiago Tamosauskas), 70 pág. O simbolismo esteve presente em Juramento da Cristofania de Ourique (Alisson Henrique Machado), 26 pág, Os Milagres de Lilith (Mila Nova), 77 pág, e O Guia Moderno de Salomão (Pedro Estigarribia), 78 pág. A tradição apareceu em Contos Judaicos (Aaron Hyek), 60 pág, enquanto Catarismo (Joene Saraiva), 243 pág, trouxe profundidade histórica. Ideias para Bibliotecas Livres (Daniele Carneiro), 82 pág, e O Tempo que o Tempo Tem (Emanuel Ribeiro, 30 pág, convidaram à reflexão prática e filosófica.

Maio equilibrou espiritualidade, filosofia e crítica contemporânea. O Véu de Madalena (Jorge Alexandre Rodrigues), 148 pág, revisitava mistérios esquecidos, enquanto Mamão Não é Laranja (Cleitom Alexandre Carvalho), 65 pág, falava de aceitação e amadurecimento. Um Encontro com Sócrates (Haris Papadopoulos e Giannis Manalis), 95 pág,  trouxe leveza filosófica, e O Mundo Sem Tecnologia (Thales de Oliveira Gomes), 74 pág, provocou reflexões necessárias. O destaque do mês foi Centelha em Restolho Seco (Betty Antunes de Oliveira), 749 pág, leitura extensa, exigente e marcante.

Junho foi dominado pela grandiosidade de Mundo Sem Fim (Ken Follett), 1.136 pág, uma verdadeira imersão histórica. Em contraste, Ceilândia Quebrada (Andrada Sín), 30 pág, trouxe brevidade e impacto local, enquanto João de Quê? (Lúcio Big), 428 pág, revelou camadas culturais e sociais profundamente brasileiras.

Julho caminhou entre introspecção e ironia. Amar e Perder (Rafael Arrais), 225 pág, e Como se Tornar um Cristão Inútil (Rodrigo Bibo), 176 pág, provocaram reflexões desconfortáveis e necessárias. A poesia apareceu em Calçadas da Poesia (Álvaro de Almeida), 92 pág, enquanto narrativas curtas como O Tigre das Perdizes (Belchior Chaves), 9 pág, e Assassinato no Parque da Cidade (Andrada Sín), 48 pág, mostraram força na concisão.

Agosto foi marcado pela identidade cultural e pelo simbolismo histórico. Cachaça: Um Gole de Brasil (Luli Neri Riccetto), 48 pág, celebrou tradições, enquanto Guildas Medievais e a Maçonaria (Hilton S. Lima), 148 pág, e Confissões de um Cavaleiro Imortal (Jorge Alexandre Rodrigues), 180 pág, aprofundaram raízes simbólicas. Uma História de Jerusalém (Edgar Allan Poe), 16 pág, trouxe ironia clássica, e O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas), 291 pág, reafirmou a força da vingança, da paciência e da justiça.

Setembro trouxe aventura e espiritualidade com Iacobus (Matilde Asensi), 296 pág, unindo o Caminho de Santiago aos ecos templários.

Outubro retornou aos clássicos nacionais com Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), 304 pág, sempre atual, irônico e provocador.

Novembro apresentou contrastes: O Livreiro de Cabul (Åsne Seierstad), 280 pág, ofereceu um retrato humano e duro do Afeganistão, enquanto Pense Simples (Gustavo Caetano), 184 pág, trouxe pragmatismo, inovação e clareza.

Dezembro, entre encontros e pausas, fechou o ano com reflexões maduras. Dom Casmurro (Machado de Assis), 322 pág, Meu Legado (Marcelo Simonato e outros) 264 pág, Cartas a um Jovem Político (Fernando Henrique Cardoso), 144 pág, Aprenda a Rir de Si Mesmo (Bruno Motta), 192 pág, e A Arte de Envelhecer com Sabedoria (Abrahão e Bertha Grinberg), 128 pág, encerraram o ano com humor, lucidez e serenidade.

Cada leitura de 2025 não apenas ocupou tempo, mas construiu pensamento, ampliou repertório e aprofundou silêncio interior. Agora, resta saber: o que 2026 reservará em páginas, vozes e ideias?

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